Segunda-feira, 8 de Março de 2010

Responsabilidade: direito ou dever?

Afinal o que é isto de ter responsabilidade, de ter de cumprir porque mais ninguém poderá fazê-lo por nós, porque traz consequências para a pessoa individual que somos e a quem temos de prestar contas. Porque independemente do resto do mundo, não devemos a nós mesmos, em primeiro lugar, o cumprimento de irmos mais além e a autosuperação?
As prioridades definimo-las nós, mas quando chegamos aos 20 e qualquer coisa, não será natural sabermos já depender apenas das nossas capacidades, sem confiarmos que existe alguém por trás, que não só vai levar os golpes por nós, mas que no nosso intímo, acreditamos ser essa a sua obrigação.
Hoje sinto-me muito fora deste país, porque é uma mentalidade tão portuguesa. Porque a “independência” que era antes sinónimo de liberdade, mas também de responsabilidade, hoje é tida apenas como um direito: os deveres continuam do lado de quem nos dá essa liberdade. Eu vou, faço o que quero, quando quero e porque quero, mas para o fazer, continuarás a dar-me tudo o que sempre deste. Parece-me o mundo perfeito, não fosse isto uma circunstância da fraqueza e da pouca maturidade que se injecta nos jovens. Jovens esses que dificilmente serão fortes para assumir tudo o que a vida implica: as exigências, as necessidades, o esforço e orgulho de dar e receber. Adultos que vão cair sem saber que se podem levantar.

Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Para os indecisos

Tomar conta de ti: não porque não o saibas fazer, mas porque és atrapalhada com as emoções. Não sabes que o “quando” tem um limite no tempo, e acrescentas-lhe um “se tiver de ser” que estraga todas as hipóteses de as coisas virem a acontecer.

Dizer-te que tens tudo, tudo mesmo. Mas que deixas escapar até mesmo a vida, porque esqueces que os obstáculos não são contratempos, mas sim desafios para cumprires, para te levares ao limite e descobrires que és tão maior, que há muito mais. Porque tens muito medo.

Tomar-te nos braços e sacudir os teus fantasmas porque são demasiados, porque te agarraste às desgraças há muito tempo atrás, certa de que o que acontece tem um motivo sombrio: deves ser merecedora de chorar muito até sangrar o coração.

Confirmar-te que não és um caso perdido, porque ninguém tem a exclusividade dos sorrisos e o sol quando nasce, é para todos.

Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Dia(s) mau(s)

Um dia mau, cheio de nevoeiros matinais, um comboio que sai atrasado pejado de gente, animais que se comem uns aos outros dentro de um barco, um irmão triste e cansado, uma vontade grande de ser além em prol de alguém e um desejo de coisas distintas. Sempre.
Um dia mau com lágrimas alheias e silêncios que se fecham na indisposição para tudo. Amanhã é novo dia e este ainda tem muito por onde crescer.

Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Just call it "Life".

Se a saída for a fuga, vais agarrar, mesmo sabendo que foges de ti mesmo? Mesmo que seja temporário e o dedo no botão: repeat, já viste isto mais vezes.
E se tudo não passar de um fingimento de vida, oportunidades forjadas e desculpas fantasma? Querias que fosse uma janela com vista para o real, que o apresentador saisse detrás do pano escuro a dizer que foi tudo uma brincadeira, que a vida real começa agora, que há mais hipóteses para venceres, que isto não contou como tentativa, mas que já levas a vantagem da experiência e da aprendizagem. Parabéns!
Mas ainda não acordaste e já (ainda) tens o alarme a piscar, a lembrar que afinal tens de enfrentar o dia e os monstros, que hoje - só mais hoje? - é o quotidiano de sempre, as bestas de sempre, os medos de sempre, a solidão de nada e de tudo, o medo de não ser mais ninguém pela vida fora.

Just call it life and give it a go.

Só nos falta o calo

Eu tenho uma dislexia que me persegue desde sempre: não sei, de imediãto, distinguir a esquerda da direita. Num acto de auto-ajuda pouco lógico, aprendi que a escola primária deixou-me um calo no dedo médio da mão esquerda (sou canhota, pois claro). E é por isso que quando confrontada com a questão "à esquerda ou à direita?" recorro ao meu calo. Ora, o que eu gostava mesmo é que Portugal tivesse um grande calo na cultura, capaz de ajudar o povo a distinguir também a esquerda da direita, e as implicações duma e da outra. Porque um dia destes vou filmar o caos que é o Cais do Sodré em hora de ponta, principalmente à medida que nos aproximamos dos terminais de controlo de passageiros. É vê-los como formigas sedentas de açúcar, em direcção ao pote: uns muito lentos a atrapalhar tudo, bem situados no meio (no meio é que está a virtude?) do caminho de todos, outros muito rápidos e atrapalhados, num vale tudo: ora para a frente, ora para trás, esquerda, direita, não!, aquela era a direita, esta é que é a esquerda.
Falta-nos um calo na civilização, falta-nos saber adaptar e ajustar as regras: se na estrada se conduz à direita e ultrapassa-se pela esquerda, se aí os faltosos levam multa, sugiro a aplicação de iguais coimas. Nas escadas rolantes, nos passeios, nos corredores, etc.
Falta-nos colar na testa que somos lentos, que somos fast and furious, que somos pouco preparados para essa coisa chamada "civismo".

E juro que não tenho descendência germânica. Pelo menos, que eu saiba.

Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

What else?

A confusão nunca é um mal que se instala: é sempre um torpor que se vai acomodando, irritando, provoca uma comichão miudinha e persistente. Assim como um "porquê" nunca se contenta com o "por nada", porque é a raiz de todas as explicações, de todas as consciências que se agitam na curiosidade e que se movem para encontrar soluções e plurais.

Domingo, 30 de Agosto de 2009

Uma pérola

What good are you to your children if you are always miserable?